Quantas histórias cabem dentro de um orelhão? Amores, notícias, despedidas e reencontros passaram por esses telefones públicos que, até 2028, serão extintos do país. Em Santa Maria, além dos oito aparelhos desativados encontrados pela reportagem em diferentes pontos da cidade, há um nono exemplar que segue de pé, instalado de forma intencional dentro de uma cafeteria no Centro, como símbolo de memória.
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O telefone público de cabine laranja fica no Armazém Osmar Pereira, no centro da cidade, e não funciona mais para ligações. Ainda assim, cumpre hoje outro papel: o de conectar passado e presente. A ideia partiu da proprietária, Gabriela Litchina, 30 anos, e surgiu como uma homenagem ao avô, que teve um armazém e, em frente ao estabelecimento, havia um orelhão.
— A gente queria algo que fosse "instagramável" (fotogênico), que as pessoas tirassem foto, mas, ao mesmo tempo, fosse algo que remetesse ao passado. Não queríamos algo moderno. Começamos a ir em lugares que vendem antiquarias até que encontramos o orelhão. E eu disse: 'É isso aí, tem que ser um orelhão'. Ele já estava desativado, então instalamos aqui nesse cantinho.

Desde então, o telefone virou ponto de curiosidade e de fotos. Segundo Gabriela, a reação varia conforme a geração.
— Os adultos se impressionam, querem tirar foto, gravar vídeo. Já as crianças perguntam: ‘Mas o que é isso?’. A gente explica, conta pra elas e elas dizem: 'Mas como assim ligar para alguém por uma coisa assim?'

O fim de uma era nas ruas brasileiras
Os orelhões, oficialmente chamados de Telefones de Uso Público (TUPs), começaram a ser instalados no Brasil no início dos anos 1970 e se tornaram símbolo urbano durante décadas. Com a popularização dos celulares, perderam função e espaço.
Com o fim das concessões da telefonia fixa, as operadoras deixaram de ter obrigação legal de manter os aparelhos. Segundo a Anatel, os orelhões só permanecerão, até no máximo 2028, em locais sem acesso a outros meios de telefonia. A retirada em massa já começou.
Em Santa Maria, onde já existiram mais de mil aparelhos, restam poucos aparelhos espalhados pela cidade. Veja o mapeamento realizado pelo Diário aqui.
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